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Folha A·547
Geração BenjamimJeff FromholzObra reunida
15 de mar de 2012

Senhor, sou eu

Pr. Jeff Fromholz15 de mar de 2012

“Senhor, sou eu?”

Traição: Uma palavra feia que traz imagens feias: adultério, assassino, etc.

Traição: De entregar nas mãos de um inimigo em violação de uma confiança ou fidelidade

Você já foi traído?

Alguém já contou seus segredos para outro?

Existe uma sensação pior do que traição?

Você se sinta sem chão, sozinho, com medo. De repente tudo que você confiava derrete debaixo dos seus pés. E assim você entenda que 98% de existência está baseado em confiança e sem ela nada funciona.

William Tyndale fez a primeira tradução da Bíblia no inglês e na linguagem do povo comum. Em 1535 ele foi traído por um amigo e prendido. Ele não terminou o seu trabalho porque ele foi condenado a morrer a morte de herege, estrangulado e queimado numa estaca.

Joaquim Jose da Silva Xavier, o Tiradentes, foi traído por seu amigo Silvério dos Reis. Para escapar as suas dividas com o rei de Portugal, ele entregou o seu amigo que no fim foi enforcado.

Julius Cesar foi traído pelo seu filho adotivo, Marcus Junius Brutus. Depois de cair no chão, ele falou a famosa frase, “Et tu, Brute?”

Mas quando falamos de traição, sem duvida, a história que mais vem a nossa mente é daquele que traiu o seu amigo com um beijo e pelo preço de um escravo; JUDAS.

A diferença entre Jesus e os outros é que os outros não sabiam o que estava para acontecer, pois se soubessem teriam evitado. Mas Jesus sabia muito bem o que estava para acontecer e ele não levantou nenhum dedo para impedir nada.

Sl 41:9; Até o meu próprio amigo íntimo em quem eu tanto confiava, e que comia do meu pão, levantou contra mim o seu calcanhar

Zec 11:12-13; E eu disse para os seus líderes: Se quiserem, dêem-me a minha paga, aquilo que decidirem mas só se assim entenderem. Fizeram então contas ao meu salário e derem-me trinta moedas de prata. Disse-me o Senhor: Atira isso para dentro do cofre do templo - essa fortuna com que eles te avaliaram! Peguei nas trintas moedas e lancei-as lá para dentro.

João 6:64; Mas alguns de vocês, porém, não crêem em mim..” Pois Jesus sabia desde o princípio quem não cria, e quem o iria trair.

João 6:70-71; Então Jesus disse, “Eu escolhi doze de vocês, mas um de vocês é um diabo.” Ele falava de Judas, filho de Simão Iscariotes, um dos Doze, que mais tarde o trairia.

Mt 26:25; Então Judas, aquele que estava para trair ele, também perguntou: "Mestre, sou eu?" E Jesus disse a ele: “Você que disse isso”.

A Última Ceia

Mt 26.17-30; No primeiro dia da Festa dos Pães sem fermento, os discípulos vieram a Jesus e perguntaram: “Onde você quer que nós preparamos a refeição da páscoa para você?” (A páscoa era uma celebração de quando Deus libertou Israel da sua escravidão no Egito.) 18 Ele respondeu: “Vão até a cidade, procurem um certo homem e digam a ele: ‘O Mestre diz: O meu tempo chegou, e eu vou comer a refeição da Páscoa com os meus discípulos em sua casa’.”19 Então os discípulos fizeram como Jesus disse a eles e preparou a refeição da Páscoa lá. 20 Quando anoiteceu, Jesus se sentou à mesa com os doze discípulos. 21 E enquanto eles estavam comendo, ele disse: “Eu falo a verdade a vocês, um de vocês vai me trair”. 22 Eles ficaram muito tristes e começaram a perguntar um por um: “Senhor, sou eu?” 23 Ele respondeu: “Aquele que tem molhado pão comigo do mesmo prato, me trairá. 24 Porque o Filho do Homem vai morrer como está escrito ao respeito dele. Mas como será terrível para aquele que trair o Filho do Homem. Seria melhor que ele nunca tivesse nascido!” 25 Então Judas, aquele que estava para trair ele, também perguntou: "Mestre, sou eu?" E Jesus disse a ele: “Você que disse isso”. 26 Enquanto eles estavam comendo, Jesus pegou o pão e o abençoou. Então ele o partiu em pedaços e deu aos discípulos, dizendo: “Tomem e comam; isto é o meu corpo”. 27 Depois ele pegou uma taça de vinho e quando ele agradeceu a Deus, passou a taça aos seus discípulos e disse: "Cada um de vocês bebem, 28 pois esse é meu sangue, o que confirma a nova aliança entre Deus e o seu povo, e que é derramado em favor de muitos para o perdão de pecados. 29 Eu falo a vocês que eu não vou tomar vinho de novo até o dia em que eu beber com vocês o vinho novo no reino do meu Pai”. 30 Então eles cantaram uma música e saíram para o Monte das Oliveiras.

Um de vocês vai me trair.

Lc 22.14-15; Na hora do jantar, Jesus se sentou na mesa junto com os apóstolos 15 e disse a eles: Tenho desejado sinceramente comer o jantar da Páscoa com vocês, (O jantar começou bem e de repente Jesus trocou marchas.) antes do meu sofrimento e morte!

E ele continuou “Um de vocês vai me trair”.

Eu fico imaginando o que estava passando pelas cabeças dos discípulos enquanto eles olharam um para outro, e ninguém se entregando pelo um olhar desviado, e com temor todos fizeram a mesma pergunta, “Senhor”, sou eu?”

Jesus já tinha falado sobre o que aconteceria, e nesse clima, com o potencial por violência, dor, e sofrimento, cada um duvidou que se provocado fosse capaz de ser aquele que trairá Jesus.

Mas Jesus recusou em responder eles diretamente.

“Aquele que tem molhado pão comigo do mesmo prato, me trairá”.

A pergunta “Senhor”, sou eu?” ainda permanece. Não existe uma resposta rápida. É algo que cada um de nós tem que enfrentar e responder no nosso coração.

Traidores

Naquela noite, nós sabemos que era Judas que deixava a possibilidade de trair Jesus mesmo se torna realidade.

O pecado maior pertencia a ele por agir, mas o resto?

Jesus, no mesmo jantar avisou Pedro, “Simão, Satanás pediu provar você, mas eu tenho orado por você para que sua fé não falha”.

“Estou pronto para ser preso e morrer com o Senhor!”

Grande declaração. E Jesus responde: “Eu te falo a verdade, nesta mesma noite, antes que o galo cante, você me negará três vezes”.

“Senhor, sou eu?”

“Sim Pedro, é você”.

O resto fugiu e se escondeu. Sou eu? Sim Judas, Sim André. Sim Mateus. Sim Felipe.

Nós olhamos para Judas com um olhar crítico, com uma mistura de ódio e horror, como um traidor e ladrão.

Mas você sabe, eu sei, todos nós somos iguais.

Será que seriamos mais corajosos daqueles que abandonaram ele e fugiram?

Você teria tido a coragem de assumir o que Pedro negou?

Será que eu não teria sentido o mesmo dor na mesa, como uma faca no meu coração, quando ele falou: “Um de vocês vai me trair”.

Todos sentados ali sentiram a sua consciência acusando.

Quando o vento está levantando é bom para cada navio no mar presta atenção na suas próprias cordas e velas, e não ficar olhando para ver como estão os outros navios.

Todos de nós podemos cair.

1 Co 10.12; Aquele que pensa que está firme e de pé deve ter cuidado para não cair.

“Senhor, sou eu?” Uma pergunta que teme a resposta.

Nem sei se eu teria tido a coragem de perguntar. Eu fico imaginando Jesus falando: “Um de vocês vai me trair” e eu abaixando a minha cabeça não querendo olhar nos olhos dele. Medo. E eu fico lá sentindo o seu olhar até eu não agüento mais: “Sou eu! Sou eu!”

Pois não era somente Judas que traiu Jesus; eram todos deles, eram todos de nós, era eu, era você.

Pecadores convidados

E assim nós nos achamos sentados na mesma mesa, uma celebração, diante dele com corações pesados.

Eu acho que mais me impressiona com Jesus é como ele levou a parada em frente. Ele não perdeu o foco, a coisa mais importante; celebrar a ceia com um novo significado.

Falei um tempo atrás que eu acho que temos esse negócio da ceia um pouco frente para trás; esperando pessoas sem pecado aproximar a mesa.

Com Jesus era algo totalmente diferente. Ele sentou com pecadores de quais ele já sabia iam trair e abandonar ele. E ainda assim ele partiu o pão significando amizade.

A maioria das igrejas tem regras sobre quem pode ou não pode tomar a ceia e com isso eu me recuo. Com certeza a ceia somente faz sentido para quem é crente, mas até nisso pode ser argumentado que Judas não era.

A única coisa que sabemos é que Jesus convida todos, sem restrições.

Mas quantos de nós temos visto pessoas, ou talvez nós mesmo, não celebrar a ceia por ter pecado ou um problema que nos faz “não digno”?

1 Co 11.27; Então qualquer um que come deste pão ou bebe deste cálice do Senhor de uma maneira indigna será culpado de pecar contra o corpo e sangue do Senhor.

Mas, é isso que o versículo está falando?

A verdade é que ele não fala nada de nós sendo digno.

A palavra “digna” é um advérbio, não adjetivo.

Está descrevendo a maneira que tomamos a ceia e não quem nós somos.

O pecado dos coríntios de qual carregava um castigo era a gula deles, o bebidice, a falta de dividir com quem não tinha, no fim, tratando a ceia como qualquer refeição sem reconhecer a razão verdadeira por trás.

1 Co 11.28; Por isso cada um de vocês deve se examinar antes de comer do pão e beber do cálice.

Os coríntios não estavam sendo ordenados a se examinarem para ver se eram crentes ou não, ou de ver se tinham pecado nas suas vidas, mas de ver se estavam mesmo honrando o corpo de Cristo com a ceia.

A ceia é um convite a pessoas não dignas de vir e sentar e compartilhar da refeição de Jesus.

Nós não irmos porque somos qualificados, mas porque fomos convidados. E nós não fomos convidados porque somos dignos. Fomos convidados porque Ele nos quer sentado a sua mesa.

João Calvino uma vez comentou que o milagre da ceia não era se o pão e o vinho se tornavam carne e sangue, ou se Jesus estava presente nos elementos; mas o milagre real é que qualquer um de nós é convidado à mesa.

“Senhor, sou eu?” Sim. E assim eu te convido de vir e celebrar e lembrar o que Jesus fez para nós, pecadores culpados de traição, perdoados, filhos adotados e amados.

Dietrich Bonhoeffer disse uma vez que a Igreja, no seu melhor, não é tanto uma coleção de santos justos, como é uma coleção de pecadores perdoados.

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