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Folha A·135
Geração BenjamimJeff FromholzObra reunida
06 de jan de 2005

entrevista

Pr. Jeff Fromholz06 de jan de 2005

1º Pr Jeff, defina para nós o que é a Geração Benjamim?

GB na verdade envolve três coisas: 1. É um mover de Deus que pouco a pouco está atingindo esta geração 2. É uma palavra profética para esta geração para se levantar e correr para a batalha que está à sua frente. Para se separar do mundo e andar em santidade, e assim, estando pronta para o Senhor usá-la. 3. Mas, mais do que tudo, é uma identidade que por muitos anos essa geração não tem tido; uma identidade própria. Tudo muda quando você sabe quem você é em vez de quem os outros dizem quem você é. È de suma importância.

2º A visão GB, tem uma inovação em relação ao ministério jovem, qual a sua opinião em relação ao ministério jovem na igreja brasileira?

Eu a vejo muito perdida e confusa. Não que não tenha bons e sinceros líderes, mas, por causa do trafego de e-mail que recebemos e os telefonemas, percebemos que eles mesmos não sabem o que fazer. E por isso, vejo muitos errando ao tentar copiar as coisas do mundo. Um culto de jovens hoje em dia geralmente cai entre esses dois lados: um que agradaria os seus avós e o outro que deixaria o maior incrédulo sentindo-se em casa. Os dois, na minha opinião, estão errados. O culto tem que ter um sabor jovem, mas não do mundo. Acho que estamos confundindo muito quando tentamos copiar boates e outras coisas dessas. Plantar uma laranjeira não dará uvas no seu quintal.

3º O senhor em seus artigos, tem defendido uma tese que para muitos é uma grande polêmica, sobre relacionamentos entre jovens cristãos. Fale-nos um pouco sobre isso?

Isso, na verdade, nem deveria ser polêmica, mas sei que é. Para mim, não vejo onde está toda a confusão. Todos sabem o que rola no namoro hoje em dia, mesmo dentro da igreja. E todos nós que já beijamos sabemos que NINGUÉM fica só no beijo. A mente vai ou a mão vai, mas, com certeza, algo vai além do que Deus chamaria de santidade. Há jeito de se casar sem namorar, sem beijar e com certeza, sem transar. A amizade vai muito longe em preparação para um bom casamento.

4º O senhor acha também que a corte tem se tornado desculpa para namoro?

Acho que pode ser. Tenho ouvido testemunhos de casos em que a corte está sendo feita na maior pureza, mas também tenho visto do outro lado que a “corte” não está cortando nada. Infelizmente, algo que pode ir muito bem, como a corte, está sendo escandalizada pelos nossos “irmãos nominais” que querem namorar de qualquer maneira. A corte tem virado uma moda, igual o cristianismo, todo mundo está cortejando e todo mundo é crente agora, mesmo aqueles que se acharão no inferno algum dia, se não arrependerem.

5º Pr Jeff, em seu livro LIDERANDO LOBOS, o senhor comenta sobre brincos e tatuagens, fale-nos um pouco sobre o assunto.

Acho que a igreja, em geral, tem perdido muito tempo e muita energia tentado discutir esse assunto e condenar aqueles que usam. Deus é claro na Sua Palavra que Ele olha para o coração, mas os homens olham para o exterior. Faço questão de me achar no lado de Deus. Creio que Ele não se importa tanto com essas coisas, se não é algo profano. Mas, sempre dou um papo real aos jovens que querem isso, para falarem com seus pais e com a liderança de sua igreja, com o intuito de não queimar o filme deles. Por exemplo, um cara põe um brinco ou tatuagem sem falar com os pais não tá certo. E o fato de não falar com o pastor é perigoso se ele quer estar envolvido na igreja. E na questão do trabalho, conheço caras de corações puros que não conseguiram um emprego por causa de sua aparência. Nesse sentido, aparência conta por algo, pois o homem olha para o exterior. Mas, para mim, tanto faz. Uns dos corações mais puros que conheço tem tatuagens por fora, então...

6º Em uma época de minha vida fui hardcore, e nesses movimentos sempre há uma identificação com tatuagens, por exemplo, eu tenho em minhas costas escrito a palavra straight edge, e se começar a aparecer por aí , alguns cristãos com tatuagens do tipo: Geração Profética, Geração Benjamim, Ele Vem, qual seria a sua posição em relação a isso?

Bom. Como estamos sendo transparentes, tenho um gato-de-mato na minha perna, também devido a uma época na minha vida, no hardcore. De uma posição, não tenho nada forte. Acho que uma vida de santidade fala bem mais alto do que qualquer tatuagem, mas, tô nem aí se um jovem, com a permissão dos pais e a liderança da igreja quer colocar. Acho a tatuagem como roupas, são só efeitos e todo mundo vai no próprio gosto.

7º Uma das maiores debilidades de nossas igrejas é o extremismo, ou seja a falta de identidade, ou rótulos sem compromissos, qual o seu ponto de vista em relação a um despertar nesta área?

Religião. Sou o inimigo numero um da religião, ou seja, pessoas fazendo o que tem que ser feito sem sentir nada, só fazendo porque é certo, como muitos na igreja hoje em dia estão fazendo. Não amam Jesus, não vivem por Ele durante a semana, mas, no domingo pode crer que estarão na igreja no primeiro banco. Não tem gastado nada de tempo com Ele durante a semana, mas, no domingo... Muitos crentes não sabem quem são... porque não o são mesmo. Ou que seja, haverá uma grande fila daqueles: “Senhor, Senhor, nós não fizemos tal coisa, blá, blá, blá?” E depois vem aquela resposta que ninguém quer ouvir: “Apartai-vos de mim aqueles que praticais a iniqüidade (será que serão poucos?) nunca te conheci.”

8º Quais são as expectativas para o GB3D? E como será?

Nós esperamos ver milhares de jovens subindo para o mesmo lugar com o objetivo de buscar a face de Deus, em adoração, arrependimento e para o avivamento nessa geração e em nosso país. Será um evento como o “One Day”, três dias (3D) ao ar livre, acampando e clamando por Deus.

9º Nós hoje temos uma grande dificuldade de trazermos em nossas igrejas a maioria dos visionários, que estão trazendo uma nova identidade à igreja. O senhor não acha que está cada vez mais distante, as visões impactantes de chegarem em pequenos lugares ou pequenas igrejas, já que sempre a despesa dos visionários se tornam caras demais?

Existem dois lados dessa moeda. Sou contra cachê. Se for ministério, então ministre e deixe Deus cuidar do lado financeiro. Mas, infelizmente muitas igrejas, não todas, mas muitas, têm culpa disso. Se as igrejas tivessem uma atitude de abençoar os ministérios que vêm, não teria esse negócio de pedir ofertas antes de ir. O problema é que os ministérios têm contas a pagar e famílias para sustentar e, infelizmente, a maioria sabe que muitas igrejas não dão nada mesmo, só recebem. Por exemplo, se sabem que a oferta não é obrigatória, muitas riem à toa. “Puxa, podemos trazer esse cara de graça.” Entendi. Nunca deveria ser uma questão de dinheiro. Nem gosto disso, mas, é a realidade. A primeira pergunta que recebemos quando alguém nos convida é “Quanto custa?” Eu sempre sorrio, mas, sei da realidade da coisa. Acho que uma boa solução seria as igrejas se juntarem para fazer um evento, pagarem para o cara vir, sabendo que teriam que dar uma oferta e o cara vir confiando em Deus e na boa vontade do povo.

10º O espaço está livre para demais comentários.

Deus quer usar esta geração e esse país, mas Ele não obrigará ninguém a ser usado. Se Ele precisa, Ele pode e vai procurar um outro lugar que deseja. Esse é o meu medo para o nosso país. Por quanto tempo mais, podemos deixar Deus esperando uma resposta nossa, até Ele cansar e ir embora? Sei das profecias de Deus usar o Brasil, mas não coloco muito disso enquanto vejo muitos que não ligam, ou falam pela boca e vivem algo diferente. Tudo mundo quer ser “usado”, mas poucos querem pagar o preço, ou seja, uma vida de santidade, separados do mundo. Temos medo de sermos chamados de “radical” e, por isso, muitas vezes comprometemos nossas posições. Ou pior, nós mesmos gostamos tanto de nossos pecados não querendo largá-los e corremos o risco de nos achamos no inferno algum dia, e assim esquecemos sobre sermos usados. O que Deus quer fazer é muito, mas o preço também é grande. Creio que Deus está levantando uma geração que não se importará com o que o mundo pensa, ou o que a sua carne deseja, mas, com o que Deus acha e deseja. E quando Ele fala do preço, eles responderão: “Sim Senhor, topamos.” E estes farão história.