Sou religioso
Pr. Jeff Fromholz14 de nov de 2012
Compaixão: uma boa cagada do coração.
Uns anos atrás quando eu era um novo pastor, eu estava sentado numa praça com um discípulo e conversando. De repente passou um cara vestido numa camisa bem apertada, cor-de-rosa e calça preta do mesmo estilo. Mas, não era como ele estava vestido que me chamou a atenção - ou o fato que ele tinha uma bolsinha - mas era o jeito em que ele andava. Andou com um jeito bem exagerado, um “Eu sou gay, e aí?!?” Eu me recordo olhando para ele, com toda surpresa. Não sei o que me deixou mais surpreso, a extravagância da exibição do seu homossexualismo, o choque de ver algo assim em nossa pequena vila no meio da Amazônia ou a repulsão que eu senti dentro de mim.
Já viu algo ou alguém e falava que não queria ser assim? Eu cresci na igreja e o que eu mais vi eram pessoas religiosas, hipócritas; pessoas que falavam coisas lindas, mas não viveram nada. Assim eu converti somente quando tinha 19 anos de idade.
E naquele momento em que eu critiquei aquele cara, algo no meu interior apertou e eu entendi: eu era tudo que nunca queria ser; eu era religioso, um fariseu. Enquanto eu estava discipulando um rapaz, julguei um outro.
Onde estava o amor? Onde estava a compaixão?
Deixe me dar uma definição para vocês de que é compaixão, pois muito hoje não entendem.
Compaixão não é como já tenho ouvido “com paixão”, pois se fosse assim, compassivo que significa alguém com compaixão seria “com passivo”, ou seja, alguém que não faz nada, o oposto de ativo.
Splagchnon é a palavra mais forte no grego para compaixão - ela é que a palavra foi usada para um “movimento do intestino”. Imagine sentado num vaso, agora você entende. Só que a palavra é usada para amor, se importando com alguém mais. Ela descreve algo que mexe com um homem ao seu mais profundo interior.
Não é somente pena: “Ooooh, coitado”. Ela descreve um sentimento muito profundo que leva a ação, como no vaso.
Compaixão verdadeira nos leva a fazer algo.
Cada vez que a Bíblia fala que Jesus teve compaixão, ele fez algo: ensinou, curou, libertou, alimentou.
Não por ser religioso, mas porque foi movido no seu coração.
Mc 6.34; Quando Jesus desceu do barco, ele viu a multidão e teve compaixão dela, porque eram como ovelhas sem um pastor. E ele começou a ensinar muitas coisas.
Mt 14.14; Quando Jesus saiu do barco, ele viu uma grande multidão, e ele teve compaixão deles e curou os que estavam doentes.
Mt 15.32; Então Jesus chamou seus discípulos para perto dele e disse: “Eu tenho compaixão da multidão porque já faz três dias que eles estão aqui comigo e eles não têm nada para comer. Eu não quero mandar eles embora com fome, pois sem comer nada eles podem desmaiar no caminho”. (4.000)
E Jesus ensinava compaixão:
Lc 10.30-37; Então Jesus respondeu contando uma parábola: "Um homem estava viajando de Jerusalém para Jericó, e no caminho ele foi atacado por bandidos que tiraram a sua roupa, bateram nele e o deixaram na beira da estrada quase morto. 31 E como que por coincidência um sacerdote estava passando por aquele caminho, mas quando ele viu o homem caído, atravessou para o outro lado da estrada e passou de longe. 32 E da mesma maneira um levita, quando chegou ao lugar e viu o homem, também atravessou para o outro lado da estrada e passou de longe. 33 Mas, um certo samaritano que estava viajando passou por ali, e quando ele viu o homem, sentiu compaixão por ele. 34 Então o samaritano chegou perto dele, limpou as suas feridas com azeite e vinho e depois as enfaixou. Depois disso, ele colocou o homem no seu próprio animal e o levou para uma pensão e cuidou dele. 35 E no dia seguinte, ele deu ao dono da pensão duas moedas de prata, e disse: ‘Cuide dele. E o que você gastar além disso, eu pagerei a você quando eu voltar’. 36 Agora, qual desses três você acha que se mostrou ser o próximo do homem que foi atacado pelos bandidos?” 37 O homem respondeu: “Aquele que teve misericórdia dele e o ajudou”. Então Jesus disse a ele: “Sim, agora vá e faça o mesmo".
É assim que a gente faz?
Voltando a história sobre Nilson.
Finalmente, eu caí na real e perguntei ao meu amigo quem era ele. Respondeu-me que era o “Nilson” e que era mesmo um gay (eu já sabia dessa parte). Enquanto eu sentava lá, um pouco em choque e um pouco no julgamento, senti Deus falar comigo para evangelizá-lo. Minha reação era “QUÊ?!?” “ELE?!?” Eu não sei nada de caras gays. Até eu nunca conheci um ou, pelo menos, um que admitisse que fosse. Você tem que entender, eu cresci numa região dos Estados Unidos que até hoje não se aceita o homossexualismo como um “estilo de vida alternativa”. Sendo um gay, de onde eu venho, é o jeito mais rápido de receber um tapa. E chamando alguém de “gay”, é o jeito mais rápido de se achar numa briga. Então, eu me encontrei confrontado com o cara mais gay que já vi na minha vida e... Deus quer que eu fale com ele. E, antes de saber o que estava fazendo, anunciei para o meu amigo que iria convidá-lo para ir à igreja. A reação dele foi igual a minha: “QUÊ?!?” “ELE?!?” “Faça isso não pastor, vai acabar com a igreja”.
O único problema era que ele já tinha ido embora, eu tinha perdido a minha oportunidade.
Geralmente nós nem ligamos com as necessidades da pessoa na nossa frente. Como meu amigo lá, nós logo pensamos no nosso lado, no lado da igreja. O que as pessoas vão pensar.
Mc 3.1-2; Jesus foi de novo à sinagoga e ali estava um homem com uma mão deformada. 2 E os fariseus ficaram de olho em Jesus para ver se ele curaria a mão do homem no sábado.
Os Fariseus eram os guardas da seita, assim eles ficavam esperando por Jesus quebrar as regras religiosas deles.
Jesus sabia e “olhou para eles com indignação e uma tristeza profunda por causa da dureza dos seus corações”.
Ele viu a hipocrisia deles. Eles não deram o mínimo sobre o homem com a mão deformada. A preocupação deles não era o povo, era protegendo a religião, obedecendo às regras.
Os fariseus falam que regras são mais importantes que homens.
Quantos de nós não pensamos na reação dos outros se trazermos uma prostituta ou morador a igreja? Ou pior se andamos com ele ou ela até o culto. Acabará com a nossa reputação e a clima da igreja.
Foi num igreja em BH que tinha pessoas na porta que não deixava alguém bêbado entrar. E tenho um amigo que vestiu de morador de rua em São Paulo e tentava entrar nas igrejas. A maioria barrava ele na porta e aquelas que deixavam ele entrar o colocaram no fundo para não perturbar ninguém.
Isto é compaixão?
O mais preocupado que ficamos com a ordem do culto, a liturgia, o show, o menos preocupado seremos com pessoas. Ou como Pr Mauriney falou: “Quanto mais religioso menos compaixão eu tenho”.
Hoje em dia o culto não é para Deus, mas para os homens, mas não aqueles que são diferentes de nós.
Nós somos aqueles que damos o nosso dízimo, que estamos aqui todo domingo, que vamos à reunião de oração:
“Graças a Deus que não somos como aqueles outros!”
Mas, quem nos fez diferente? O que há em nós que fez Deus nos amar? O que você fez para atrair Ele a você para te salvar?
Nada! Você era um pecador, inimigo Dele quando Ele te salvou. Não era nada em você que o recomendou a ele e nada que você fez nem fará.
A verdade é que temos bem mais para repelir ele.
Ro 3.23; pois todos pecaram e ninguém consegue viver de acordo com o glorioso e santo padrão de Deus que é ele mesmo.
Is 64.6; “Todas as nossas boas ações são como trapos sujos”.
Se quiser, posso explicar esse. É um absorvente sujo. A menstruação de uma mulher? Sacou? Suas obras - Parabéns!
Deus não olhe de cima para baixo e veja pessoas boas e pessoas ruins. Ele veja pessoas ruins e Jesus.
Deus nos salva quando somos ruins e sabemos que somos ruins, mas depois de um tempo, esquecemos-nos de quem éramos, e continuamos sendo, e começamos se achar melhor que outros.
Morador de rua– prostituta - homossexual – adolescente grávida – bêbado
Nem paramos de perguntar de como eles chegaram ali. Qual é a história deles.
Compaixão é tentando entender a situação de alguém e depois tentando ajudar para a mudar.
Me lembro voltando pra casa naquela noite e pensando em Nilson e, pela primeira vez, senti pena de alguém que estava preso no pecado do homossexualismo. Eu não tinha vontade de zombar dele, mas chorar por ele. Eu não podia imaginar o que já se passara em sua vida, do sofrimento que ele provavelmente levava e pelo que precisava passar todo dia, sendo tão diferente. Meu coração doeu por ele e doeu por mim. Nunca na minha vida me vi como alguém preconceituoso contra os gays, mas, confrontado com quem eu era e com o que senti, era obvio que tinha coisas na minha vida que precisavam ser tratadas. Acabei me arrependendo a Deus pelas minhas atitudes, que eram nada mais do que pecado, e pedi para que Deus me fizesse entender o Nilson e me desse um amor e interesse verdadeiros pela sua vida e eternidade.
Levou três semanas para, finalmente, me encontrar com ele de novo. Quando o vi, alguma coisa dentro de mim estava diferente. Eu, verdadeiramente, estava feliz em vê-lo. Todos os meus preconceitos e medos sumiram. Estava tão feliz em lhe ver, que coloquei o meu braço sobre ele e lhe dei um abraço. Imagine a surpresa dele. Depois de três semanas esperando, não demorei em convidá-lo para ir à igreja. Falou que iria e perguntou se teria algo àquela noite. E tinha mesmo, o aniversário de alguém da igreja. Lembro-me quando ele entrou na igreja, dos rostos dos membros e dos queixos no chão desacreditando que ele estava entrando em nossa igreja. Não perdi tempo e fui logo lhe dando um abraço, multiplicando a surpresa dos membros e o cumprimentei. Fiquei com ele durante toda a festa e o convidei para voltar em nosso culto de jovens, no sábado. Ele voltou e, mais do que isso, entregou a sua vida a Jesus, começando uma nova fase.
Só que há uma alerta nessa história. Depois de dois anos de Nilson andando comigo e mudando bastante eu fui chamado para servir numa outra igreja. Assim eu falei com o pastor entrando de cuidar bem dele, mas ele não o fez. Dois diáconos logo foram o visitar e falaram: “Você é uma vergonha a Cristo e a igreja, pois você ainda tem um jeito gay. Então quando você mude isso será bem vindo de volta, mas até então, não volte”. E ele não voltou, até hoje. A verdade é que ele voltou ao mundo e a vida homossexual. Ele voltou aonde achou aceitação, onde achou compaixão e fugiu da religião.
Col 3.12; Então, como as pessoas escolhidas por Deus, santas e amadas, revistam-se de compaixão, bondade, humildade, mansidão e paciência.
Revistam-se com compaixão.
Estamos chamados a ser compassivos com outros, mas essa compaixão começa com o entendimento que Cristo nos ama sem nenhuma razão em nós.
Quando entendemos que não merecemos, é mais fácil mostrar compaixão aos outros, pois são iguais a nós: pecadores precisando ser salvo.
Muitos de nós vamos se encontrar num lugar de desespero esta noite tendo descoberto que somos religiosos sem nenhuma compaixão mesmo pelos necessitados no mundo.
Outros vão descobrir que essa falta de compaixão revela nossa falta de salvação. Achamos que fomos nós que escolhemos Cristo e somos pessoas boas, não como os outros. Meu amigo você está no caminho ao inferno.
Mas todos vão se achar num lugar de confronto com Aquele que nos amou e enviou o seu único filho da mesma essência para morrer em nosso lugar.
Você ama como Ele ama?
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