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O que fazer quando você não aguenta mais e não sabe como colocar os seus sentimentos em palavras?

O que fazer quando você olha ao seu redor, para as pessoas de sua ‘tribo’ ou até mesmo da sua igreja e bate algo forte no seu coração, um desejo de chorar, de gritar, sabendo que as coisas não estão como devem ser?

Essas são as perguntas que eu também faço.

Numa pesquisa feita por beyondbelief.com mais do que 25.000 pastores, líderes de jovens e pais, 98% falaram que nós precisamos nada menos do que uma revolução espiritual, uma mudança radical do nosso sistema eclesiástico atual.

Com certeza o que a igreja mais precisa hoje é uma reforma. Se virá por meio de um reavivamento ou uma revolta, não sei, mas é preciso. Uma coisa eu sei: eu não posso mais ficar parado assistindo a igreja se perder.

E pessoas que querem mudança podem ser divididas em três grupos: Reformadores, revolucionários, e rebeldes. Então, qual é a diferença? Vamos pensar como se fosse uma casa para a qual queremos mudar.

O reformador tem a seguinte visão: ele quer comprar móveis novos, pintar, trocar o piso, talvez colocar um quarto novo no fundo ou tirar uma parede. Em outras palavras, a casa está boa ainda que precise de algumas mudanças. O reformador faz mudanças sem mexer na estrutura. Ele pensa que a casa pode ser restaurada à sua forma e modelo original.

O revolucionário olha para a casa e não vê possibilidade em restaurá-la e sugere demolição. Ele quer começar do zero e construir uma nova casa.

Existem casas tão acabadas que seria mais fácil mesmo de começar do zero em vez de tentar consertar tudo e fortalecer o alicerce rachado. O revolucionário olha para a casa e não vê nada que quer e começa agressivamente demolir tudo e limpar a área para construir a nova casa no seu lugar.

O reformador e o revolucionário veem a importância da casa, só que não concordam no valor da casa velha e pensa se vale a pena investir nela.

E então entra o rebelde. A visão do rebelde é a seguinte: ele não está nem aí para a casa e sua história, pois ateia fogo sem se importar com o futuro dela. Ele gosta mesmo é de fogo e não se interessa em reformá-la ou reconstruí-la. O prazer dele está em acabar com o que existe.

Quando a mudança não mexe com a estrutura, temos uma reforma; quando mudamos ou trocamos a estrutura, temos uma revolução. É impossível mexer com a estrutura, essa parte interna, sem ter mudanças externas. As mudanças na estrutura do revolucionário sempre estão acompanhadas com mudanças externas. E é aqui que vemos um dos buracos que a “reforma” deixa e que mais cedo ou mais tarde a casa pode cair, pois teve mudanças externas sem mudanças internas e o reformador está muito satisfeito com a pintura nova ignorando o fato que a madeira está podre e prestes a cair.

Lembro-me da igreja que construímos em Alter do Chão. O prédio onde começamos a nos encontrar estava podre, e, se encostássemos numa parede, correríamos o risco de passar para o outro lado. Muitos queriam pinta-la para ficar mais linda. Eu queria destruí-la, pois não adiantava pintar madeira podre. Precisávamos de um lugar que não iria cair à primeira vez que um vento forte soprasse. Acabamos demolindo a igreja velha e construindo uma nova. Era linda e segura, mas ironicamente, ainda tinha membros antigos que sempre falavam da saudade que tinham pela igreja velha!

Para começar, a casa precisa ser avaliada. Pode ser reformada ou precisa ser demolida e começar tudo de novo, do zero? E quando falamos de igreja a pergunta é: “Precisamos de uma reforma ou de uma revolução?” A verdade é que a maioria das revoluções começa como reformas. Qualquer reforma começa com uma pessoa procurando mudança e então convence outros da comunidade pela necessidade de se juntar à causa. Então trabalham para fazer os seus pensamentos conhecidos entre o povo numa tentativa de garantir sucesso. Como é dito: “Existe poder em números”. Até a reforma de Lutero contava-se com o povo. Os reformadores usam suas habilidades por meio de discursos, protestos públicos em redes sociais, websites, e por que não dizer, no púlpito. Tudo para fazer sua causa conhecida e aceita. E só depois de terem o apoio do povo é que procuram os líderes para falar das mudanças desejadas. Se os líderes escutam e começam uma reforma, a revolução não acontecerá. Todavia, se os líderes tentarem manipular, controlar, ameaçar e rejeitar as ideias dos reformadores, a revolução acontecerá, mas também se os líderes não virem a necessidade de reforma, uma revolução é provável que aconteça.

O que os reformadores querem é mudar a qualquer custo. O primeiro passo é por meio da paz, convencendo os líderes. Se isso não funcionar, cansam-se da atitude dos líderes e acontece uma destas coisas:

1.   Revolução: Eles revoltam e tentam mudar a estrutura pela força.

2.   Sucessão: Eles saem da instituição organizada ou igreja e estabelecem sua própria organização. Ainda é uma forma de revolução, porém, em paz.

Os reformadores começam procurando reforma e somente revoltam se for necessário. O importante é a mudança, independente de como for alcançada. O desejado é a paz, mas ninguém recuará da guerra se for necessário para trazer a mudança desejada, ainda que seja mais violento do que imaginavam quando eram somente reformadores.

A ideia principal é de reformar a igreja onde está, mas a história nos mostra que geralmente não acaba assim. Geralmente aqueles que estão no poder não estão interessados em mudança e pensando bem, porque estariam?

Lutero, Knox, Zwinglio, Calvino e o resto foram chamados de reformadores pelos evangélicos que escreveram sobre a história da igreja. Por que os chamaram de Reformadores? O que eles reformaram? O que Lutero reformou? Qualquer um que parar para pensar um pouco sobre a história da Reforma e seus reformadores irá questionar esse título.

Por exemplo, há alguns anos atrás reformamos a casa onde moramos para poder acomodar a igreja. Fizemos a igreja no primeiro andar e moramos no segundo. Ficamos dentro da casa, mas ela mudou. Foi uma reforma. Mas, o que os “reformadores” protestantes fizeram foi sair. Na verdade, eles foram ‘convidados a sair’ debaixo de uma ameaça de morte. Então eles saíram e construíram algo novo, não reformando nada da Igreja Católica. Com certeza, a igreja católica da época e principalmente os seus líderes não os chamaram de reformadores, mas rebeldes. E aqui nós entramos numa área interessante. Rebelião muitas vezes é nada mais do que um ponto de vista. Para os fariseus, Jesus foi rebelde bem como Paulo, Pedro e o resto dos cristãos que não se submeteram a postura religiosa da época. Mas não foi rebelião. Era uma revolução, uma revolta contra o sistema corrupto daqueles dias. A Reforma Protestante foi o movimento na história que rompeu com a unidade institucional da igreja na Europa Ocidental e estabeleceu a terceira grande parte do Cristianismo, chamada protestantismo.

Hoje em dia é moda falar da necessidade de mudanças na igreja, mas vemos poucas pessoas se mexendo e, menos ainda sabendo do que estão falando. “Nós precisamos de uma reforma na igreja. Nós precisamos de uma nova Reforma”. Lindo o discurso, mas será que entendem mesmo o que foi a Reforma Protestante? A Reforma Protestante não foi uma transformação DA igreja, mas uma saída DA igreja daquela época. Foi muito mais que uma reforma, foi uma volta às crenças originais do Cristianismo.

O Cristianismo foi reformado, não a igreja.

Hoje quando olhamos para a Bíblia e a história da igreja, vemos que as coisas estão muito distorcidas e deturpadas, as coisas não estão como devem ser. As pessoas que clamam por uma nova reforma não estão erradas. Algo tem que mudar. Essa igreja focada em entretenimento e coisas materiais, que não mais se importa com doutrinas e o que a Bíblia fala a respeito do pecado não é o que deveria ser. Essa igreja em que o pastor é o novo “papa” com uma palavra “revelada” que não pode ser questionada a menos que o questionador seja acusado de “tocar no ungido do Senhor” e aquele que não faz o que foi mandado está em rebelião, que é como o pecado de feitiçaria... Você já ouviu esse discurso em algum lugar? Eu sei que sim, pois é assim que eles nos ameaçam. Essa igreja que reinstituiu o sistema de comprar as bênçãos de Deus, que no passado era chamado de indulgências e hoje chamam de dízimo, primícias, ofertas de gratidão e mil e um outros nomes que inventaram para tentar fazer o povo partilhar com seu dinheiro. Essa igreja onde o pastor é a pessoa mais rica, o melhor vestido com o melhor carro, esquecendo que Jesus lavou pés e nos mandou fazer o mesmo. Hoje vemos o povo lavando os pés só do pastor. Como falei, a situação está distorcida, deturpada. Chegou a hora de colocar a trombeta aos nossos lábios e tocar o som de alerta. Um som alertando o povo do perigo de onde estamos, um clamor por mudança, por uma reforma que seja, quiçá a ameaça de uma revolta que seja intitulada por eles de rebelião, mas na verdade é uma revolta santa, uma revolução santa.

Revolução é uma mudança fundamental da maneira de pensar ou visualizar algo, uma mudança de paradigma.

Há alguns anos atrás, milhares de pessoas cantavam uma música da banda Delirious chamada de History Maker: “Escreverei a história de Deus nesta nação...” Sei que muitos de vocês já cantaram isso, mas, e aí? O que fizeram? Como escreveram a história? Como mudaram a história? É... Pensei o mesmo. Mais um cântico de blá... blá... blá... Igual aquele cântico do ministério Apascentar ou Trazendo a Arca ou Toque no Altar ou que quer que eles se chamem hoje em dia: “Abro mão dos meus sonhos. Abro mão dos meus planos. Abro mão da minha vida por Ti. Abro mão dos prazeres. E das minhas vontades. Abro mão das riquezas por Ti”. Muito forte a letra e muitas são as lágrimas derramadas cantando esse cântico, mas na realidade, bem poucos fazem isso. Nem eles mesmos conseguiram abrir mão quando saíram da igreja que faziam parte por questões financeiras e royalties das vendas dos CDs e DVDs. Abrem mão do quê? Conversa fiada... Fácil cantar, difícil é viver.

E você? Já cansou de só cantar e não fazer nada, não escrever nenhuma história? Vai se mexer? Já abriu os olhos e viu que hoje as disciplinas espirituais promovidas pela igreja parecem produzir uma única coisa: MEDIOCRIDADE?

Anos e anos vivendo uma santidade comprometida não vem sem consequências. Anos e anos vivendo vidas egoístas e mundanas não vem sem custos. Anos e anos de um evangelho efeminado e diluído não vem sem efeitos. A conta vai chegar! Precisamos decidir o que vamos fazer. Acordar? Ficar de pé? Falar? Agir? Escrever mais 950 teses? ou vamos correr o risco de sermos uma curiosidade histórica como a igreja na Europa hoje em dia; um show não relevante e opção de entretenimento barato? Algo precisa mudar e precisa mudar agora. Revolução significa mudança, uma mudança radical. Revolução significa a subversão do status quo. Não podemos subestimar o significado da palavra. Revolução é uma questão de vida e morte e nossa revolução flui do sangue do nosso Salvador que passou pelo sangue dos mártires dos primeiros séculos e depois de todos os reformadores que perderem suas vidas em nome desta mudança tão aclamada. E é aqui que nós separamos os homens de verdade dos impostores. À igreja não falta aqueles que estão sempre prontos a criticar e apontar os erros. A maioria deles vive na porta ameaçando em sair, mas nunca saíram, pois lhes faltam a coragem de um homem de verdade para agir. Não são nada além de palavras vazias, o som de latas vazias, blá... blá... blá... E no fim, a eles faltam a própria coragem de fazer o que ameaçam e professam querer fazer. Ficam no mesmo lugar sufocados com o cheiro da morte sem a coragem de pisar lá fora, ao ar fresco. Não reformam nem revoltam e ainda correm o risco de um dia serem vômitos, pois, sem dúvida alguma, fazem parte dos mornos; não refrescam nem curam.

A revolução começa só quando as pessoas começam falar: “Algo está faltando. Algo está errado. Tem que ser mais do que isso”. E eles têm razão. Deve ser algo mais do que comer e beber, trabalhar e dormir; simplesmente sobrevivendo. Deve ser algo mais do que se formar e arrumar um bom emprego e ter uma família linda e ganhar muito dinheiro para que seus filhos também possam se formar e achar um bom emprego e ter uma família linda e... Será que não existe mais nada nesta vida por que lutar? Porque é isso que a igreja está me vendendo nesses últimos dias. Ela mesmo já se vendeu há muito tempo atrás e em vez de influenciar o mundo, está totalmente influenciada e tentando influenciar me com suas ideias mundanas. Será que isso é tudo? É por essa causa que Deus nos colocou no mundo?

Não! Existe mais! Tem que ter mais! Existem verdades esquecidas que precisam ser lembradas. Existem mudanças a serem feitas. E existe um chamado para aqueles que vão se mexer e serão os próximos reformadores ou revolucionários se necessário. Vamos nessa?

A igreja reformada, sempre se reformando.